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Numa era pós-digital, em que vida quotidiana é mediada por tecnologias digitais e é caracterizada por uma conectividade constante, torna-se cada vez mais difícil encontrar cultura fora dos media digitais. Nas palavras de Michael Connor, na era pós-internet “já não faz sentido os artistas tentarem reconciliar-se com a ‘cultura da internet’, porque agora ‘cultura da internet’ é cada vez mais apenas ‘cultura’”.

Neste contexto, a apropriação torna-se um elemento crítico da prática artística contemporânea, que opera online e offline para refletir como a internet molda a cultura. A reutilização, reinterpretação e reedição de conteúdos preexistentes torna-se o modus operand das formas de produção cultural contemporâneas. Segundo Nicolas Bourriaud, estas formas de pós-produção, que reúsam, reinterpretam ou reproduzem formas culturais existentes, ilustram como “a arte reprograma o mundo” segundo uma “atividade constante dos signos a partir de um ideal coletivo: a partilha”.

Apropriação Pós-digital procura refletir como a arte reprograma o mundo nesta atmosfera pós-internet de pós-produção, em que a autoria é omnipresente, desafiando as noções de cópia e original. Toda a produção cultural é vista como uma obra em progresso e circulação, passível de continuação por qualquer um dos seus espectadores.

O projeto organiza-se em torno de quatro tópicos que abrangem desde aproximações artísticas à internet como medium até à arte pós-internet, incluindo a proliferação de memes e o folclore digital. Cada tópico é tratado segundo uma dinâmica distinta que procura evocar aspetos da automatização na produção cultural, seja através da exploração das plataformas, estruturas ou ferramentas disponíveis na internet, seja através da apropriação de conteúdos pesquisados online. Esta experimentação é complementada pelos conteúdos apropriados que a inspiram, procurando evidenciar os processos de recontextualização e articulação característicos da produção cultural atual.