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O uso crescente de expressões associadas à pós-verdade tem confirmado o presente conflito de interesses entre a demanda pelo real e a necessidade psicológica de mitos reconfortantes e dados fabricados. Desde a emergência dos movimentos negacionistas, do crescimento das teorias de conspiração, da recorrente exposição a novos escândalos políticos, que a “guerra contra a verdade” não é um fenómeno novo. Como afirma Matthew D´Ancona, “O que é novo é até que ponto, no novo cenário de digitalização e interconexão global, a emoção está a reivindicar a sua primazia e a verdade está em recuo. (...) o ressurgimento da narrativa emocional nas últimas décadas – a sua centralidade renovada – é o corolário essencial."

Na presente era tecnológica, uma considerável parte da mediatização de informação é realizada através das redes sociais. Consequentemente, um dos desafios mais exigentes que a democracia enfrenta é a viabilização de um meio de filtragem de conteúdos capaz de discernir o que é ou não é factual. Soluções têm sido propostas, tais como a promoção de literacia mediática ou o uso de sistemas de inteligência artificial para detetar notícias falsas. A crescente complexidade desta tarefa vai de mãos dadas com o colossal crescimento da onda de desinformação, cujas causas são ainda alvo de muitos debates que parecem longe de resolução.

Perante este cenário, o Guia de Sobrevivência da Pós-verdade procura fornecer ferramentas para navegar na era pós-verdade, sob a forma de dez mandamentos e de um léxico ilustrado. Reúne conselhos, soluções e dicas, por vezes irónicas, para lidar com a desinformação e promover uma iniciação a este fenómeno. Ainda incompreendido por alguns e, segundo certos autores, um dos maiores desafios do século, dada a sua natureza caótica e despótica, o fenómeno da desinformação é capaz de causar verdadeiros estragos no tecido civilizacional, uma vez que o seu fito é sempre alterar, deturpar e moldar a realidade de modo a que esta sirva interesses ocultos, financeiramente ou politicamente motivados.