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Este projeto nasce de uma tentativa de consciencialização para a relação paradoxal entre a digitalização e o conhecimento. Os meios digitais atuais proporcionam acesso a uma abundância de informação e, potencialmente, novas formas de obter conhecimento. No entanto, ao gerar, distribuir e disponibilizar quantidades massivas de dados, os meios digitais são simultaneamente veículos de instâncias de conhecimento e de não-conhecimento. Segundo Martina Leeker, os media digitais são “caracterizados por uma variedade de formas e níveis de não-conhecimento e incompreensibilidade”, que advém da opacidade dos algoritmos e das performances computacionais desconhecidas pelos utilizadores. Como explica Matthias Koch, usar a expressão ‘não-conhecimento’ serve para enfatizar "o lado reverso 'natural' do conhecimento”, ou a relação recíproca entre estes termos.

Estes estados de não-entendimento, de uma ausência consciente ou inconsciente de conhecimento, são produzidos tanto tecnológica como discursivamente. Ameaçados pela generalização do desconhecimento alimentado digitalmente, somos submetidos ao que Justin Clements caracteriza como uma “narcose contemporânea da internet e das tecnologias que a acompanham”, em que não há informação que não circule.

The Natural Reverse of Knowledge é um ensaio visual baseado numa recolha e seleção de citações que funcionam como máximas ou aforismos sobre o não-conhecimento. A configuração visual e dinâmica destas citações procura evocar a relevância ou irrelevância da informação que encontramos online, ou a disrupção do nosso espetro de atenção perante a assoberbante abundância de informação e a sua, por vezes, desapontante significação. Como uma experiência de realidade aumentada, cada peça do ensaio é disseminada no meio urbano por meio de autocolantes que dão acesso ao site que as agrega e contextualiza.