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Os elementos paratextuais têm por função facilitar a compreensão e perceção da informação textual.
Trabalhando em torno desta noção, esta publicação é uma investigação sobre a natureza formal e conceptual dos paratextos.

A literary work consists, entirely or essentially, of a text, defined (very minimally) 
as a more or less long sequence of verbal statements that are more or less endowed with significance. But this text is rarely presented in an unadorned state, unreinforced and unaccompained by a certain number of verbal or other productions, such as an author’s name, a title, a preface, illustrations. And although we do not always know whether these productions are to be regarded as belonging to the text, in any case they surround it and extend it, precisely in order to present it, in the usual sense of this verb but also in the strongest sense: to make present, to ensure the text’s presence in the world, its “reception” and consumption in the form (nowadays, at least) of a book. 
GENETTE, Gérard (1997). Paratexts: thresholds of Interpretation, Cambridge: Cambridge University Press

Com base no estudo de Gérard Genette e na forma com este cataloga e referencia a história de cada elemento paratextual, o projeto tenta entender como estas estruturas morfológicas levantam a possibilidade de existirem conceitos e ideias compartilhadas pelas culturas da imprensa e digital, num mesmo território – a página.
Como método, foi preparado um inventário de sete paratextos (os que melhor evidenciam uma relação com as noções de rede, hipertexto e hipotexto), mais tarde compilados em cinco fascículos: “Título”, “Frontispício”, “Índice”, “Notas”, “Bibliografia”. Foram ainda analisados mais dois paratextos: “Capa” e “Prière d’Insérer” .
Com esta publicação concluímos que os aspetos formais dos paratextos sofrem mutações e adaptações impostas pelas necessidades crescentes de uma cultura baseada no excesso de informação. Mas a imposição desta situação não revogou a função primária dos paratextos – a mediação do conteúdo principal. Tendo isto em conta, cada paratexto foi analisado de modo reflexivo, autorreferencial.


Capa

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Hoje em dia, a capa é mais do que a superfície onde figura o título de um livro – é uma estratégia de marketing. Em contraste com esta situação, desenvolvi uma versão simples, compreendendo apenas o nome do livro, na capa e na lombada e duas badanas com citações que nos introduzem aos restantes conteúdos.


Prière d’Insérer

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Esta secção explora a essência deste paratexto – página solta que explica a possíveis críticos/jornalistas o conteúdo e tipo de trabalho presente num livro. Esta publicação não é uma exceção a esta regra e anuncia, em síntese, o que este livro é, enquanto explana, de uma forma simples e direta o que é o “Prière d’insérer”.


Título

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É o primeiro fascículo e explora a importância da catalogação. A necessidade de dar um nome ou categorizar tudo, contrasta com a possibilidade de uma obra sem título.


Frontispício

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O “Frontispício” é o segundo fascículo e também uma possível aproximação ao conceito home page. Sendo um dos paratextos que sofre mais transformações ao longo da história, na sua forma clássica, apresenta os dados que definem a “identidade” da publicação (como título, autor, editor, data; pode ainda incluir uma imagem alusiva). O frontispício também pode ser intitulado como a folha de rosto, i.e., a “cara” da publicação.


Índice

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O índice representa uma possibilidade de síntese do livro. Os conteúdo indexados são fundamentais para a definição da navegação num livro e para a localização de assuntos relevantes. De uma forma não linear, o terceiro fascículo explora esta possibilidade.


Notas

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Seguindo a definição de Genette, este paratexto aproxima-se da noção de hipertexto, ao organizar de forma sistemática os pensamentos laterais ou cruzados essenciais para a compreensão dos conteúdos principais. Genette define e cataloga os vários tipos de notas, ilustrados neste fascículo por outras ideias e imagens (como se fossem notas ou comentários às tipologias de Genette).


Bibliografia

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Hoje, basta-nos uma conexão à internet e através do ISBN de qualquer livro, podemos obter toda a informação bibliográfica disponível. Neste fascículo, esta simples sequência de números toma o lugar dos títulos dos livros utilizados como referência para este estudo.

Célia Castelo
2010/11, 1º ano/2º semestre, Projecto II + Laboratório II