{"id":69,"date":"2011-05-30T10:53:47","date_gmt":"2011-05-30T10:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/?p=69"},"modified":"2014-05-31T12:51:40","modified_gmt":"2014-05-31T12:51:40","slug":"isto-e-um-livro-de-autor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/?p=69","title":{"rendered":"Isto \u00e9 um livro de autor"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/DSC_0057.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC0022b.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><\/p>\n<p><em>Isto \u00e9 um livro de autor<\/em> explora a autoria e o papel do leitor, ao questionar a credibilidade e estabilidade da p\u00e1gina e do livro enquanto objecto.<br \/>\nE o que \u00e9 um leitor, afinal? \u00c9 um <em>voyeur<\/em> como afirma Espen\u00a0Aarseth? Ou um autor, como enuncia Roland Barthes?<br \/>\nE o que \u00e9 um autor? Qu\u00e3o importante \u00e9 o nome de um autor \u2013 uma esp\u00e9cie de marca \u2013 para um determinado conte\u00fado? Ser\u00e1 uma garantia imediata de valor? Transportar\u00e1 a obra para territ\u00f3rios imediatos de credibilidade e legitimidade?<br \/>\nO projecto n\u00e3o tem por objectivo responder a estas quest\u00f5es (quanto muito encontrar novas perguntas), mas simplesmente relan\u00e7ar o debate. Para testar o leitor, nas quatro publica\u00e7\u00f5es que constituem este projecto encontramos erros, mentiras e inconsist\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>1. The Man Who ####<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0023.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-81 size-medium\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0023-350x233.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"233\" srcset=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0023-350x233.jpg 350w, http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0023.jpg 756w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0033.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-106 size-medium\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0033-350x233.jpg\" alt=\"DSC_0033\" width=\"350\" height=\"233\" srcset=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0033-350x233.jpg 350w, http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0033.jpg 756w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><br \/>\n<em>The Man Who Lies<\/em> (ou <em>L\u2019Homme Qui Ment<\/em>, t\u00edtulo original) \u00e9 um filme de Allain Robbe-Grillet, de 1968.<br \/>\nO filme trata de um personagem cuja identidade nos \u00e9 desconhecida. Ao longo do filme, o \u201chomem que mente\u201d vai narrando epis\u00f3dios da sua suposta vida, improvisando consoante as situa\u00e7\u00f5es e aproveitando aquilo que ouve, sendo percept\u00edveis v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es. Para o espectador, que n\u00e3o est\u00e1 habituado a este tipo de narrativas, que n\u00e3o t\u00eam fim nem permitem que se chegue a nenhuma conclus\u00e3o, esta \u00e9 uma experi\u00eancia no m\u00ednimo estranha. O predom\u00ednio da mentira \u00e9 claro.<br \/>\nNa publica\u00e7\u00e3o hom\u00f3nima foram transcritas as legendas do filme, n\u00e3o sendo no entanto reveladas nenhumas indica\u00e7\u00f5es c\u00e9nicas, o que compromete \u2028a compreens\u00e3o de alguns excertos.<\/p>\n<p><strong>2. Cita\u00e7\u00f5es de: A. D\u2019Almeida S. Sousa, Angel Crespo Cristiano Lima, Espen Aarseth, Jacques Derrida, Jay David Bolter, Michel Foucault, Roland Barthes<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0056.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0056.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><br \/>\n<\/a><a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0060.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0060.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><\/a><br \/>\n<em>Em Cita\u00e7\u00f5es de: A. D\u2019Almeida S. Sousa, Angel Crespo Cristiano Lima, Espen Aarseth, Jacques Derrida, Jay David Bolter, Michel Foucault, Roland Barthes<\/em> s\u00e3o apresentadas v\u00e1rias cita\u00e7\u00f5es pertinentes, mas estas foram submetidas a um processo de tradu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do Google. N\u00e3o sendo a tradu\u00e7\u00e3o fi\u00e1vel (at\u00e9 porque percorreu um longo caminho at\u00e9 voltar, de novo, ao portugu\u00eas), o resultado final afasta-se bastante do original, perdendo-se o seu significado. O caminho percorrido ter\u00e1 sido: Portugu\u00eas\u2014Russo\u2014Sueco\u2014Alem\u00e3o\u2014Espanhol\u2014Franc\u00eas\u2014Grego\u2014Ingl\u00eas\u2014Italiano\u2014Latim\u2014Portugu\u00eas. Question\u00e1mos at\u00e9 que ponto poder\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o induzir-nos em mentira, especialmente tendo em conta a interpreta\u00e7\u00e3o do texto original pelo tradutor, que nem sempre poder\u00e1 ser a mais correta. Nas p\u00e1ginas seguintes encontram-se as cita\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n<p><strong>3. A Hist\u00f3ria da Rumina\u00e7\u00e3o: proleg\u00f4menos de Jacques Derrida<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0087b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0087b.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><br \/>\n<\/a><a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0097b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0097b.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><\/a><br \/>\nEm <em>A Hist\u00f3ria da Rumina\u00e7\u00e3o: proleg\u00f4menos de Jacques Derrida<\/em>, deveria ler-se <em>Hist\u00f3ria da Mentira: proleg\u00f4menos<\/em>. Seguindo a l\u00f3gica de Wirikuta, foi feita uma troca de nomes, que resultou num texto sem sentido. A farsa \u00e9 evidente e, no entanto, o conte\u00fado n\u00e3o \u00e9 uma mentira, existe apenas um novo c\u00f3digo que exige decifra\u00e7\u00e3o. \u2028Deste modo, o impulso em olhar para um objecto de autor e atribuir-lhe maior signific\u00e2ncia \u00e9 questionado.<\/p>\n<p><strong>4. Fotografias In\u00e9ditas na Colec\u00e7\u00e3o de Mafalda Sequeira<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0144.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0144.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><br \/>\n<\/a><a href=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0163.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-60\" src=\"http:\/\/fbaul-dcnm.pt\/wp\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/DSC_0163.jpg\" alt=\"volun2-l\" width=\"350\" height=\"263\" \/><\/a><br \/>\nNa publica\u00e7\u00e3o <em>Fotografias In\u00e9ditas na Colec\u00e7\u00e3o de Mafalda Sequeira<\/em>, todas as fotografias colocadas representam, de algum modo, um <em>hoax<\/em>.<br \/>\n\u00abVivemos (\u2026) num tempo de perversa vulnerabilidade das imagens. Dito de outro modo: o digital instalou uma esp\u00e9cie de liberalismo sem rosto (ou sobre os rostos&#8230;) em que nenhuma imagem \u00e9 um dado definitivo ou aquietado. Em boa verdade, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 imagem, mas um mero tra\u00e7o de circula\u00e7\u00e3o informativa.\u00bb (Lopes, 2011)<br \/>\nA manipula\u00e7\u00e3o da imagem n\u00e3o \u00e9 uma novidade do digital. No entanto, e com a democratiza\u00e7\u00e3o das suas ferramentas, o digital vem torn\u00e1-la mais simples. Qualquer um pode criar uma imagem e divulg\u00e1-la como verdadeira, construindo assim a sua realidade. Acerca do assunto, Derrida (1995: 13) afirma: \u00ab(\u2026) uma imagem, \u00e0 diferen\u00e7a de um retrato ao modo antigo, n\u00e3o tem apenas o papel de idealizar a realidade, mas de substitu\u00ed-la por completo. Tal substituto, por causa das tecnologias modernas e da m\u00eddia, destaca-se, evidentemente, mais do que o original. (\u2026) j\u00e1 que a imagem-substituto n\u00e3o remete doravante ao original nem mesmo a um original representado de forma lisonjeira, mas o substitui com vantagem, passando do estatuto de representante ao de substituto, o processo da mentira moderna j\u00e1 n\u00e3o seria a dissimula\u00e7\u00e3o que veio encobrir a verdade, mas a destrui\u00e7\u00e3o da realidade ou do arquivo original: \u2018Em outros termos, a diferen\u00e7a entre a mentira tradicional e a moderna equivale (&#8230;) \u2028\u00e0 diferen\u00e7a entre esconder e destruir\u2019.\u00bb<br \/>\n\u2014<br \/>\n<strong>Mafalda Sequeira<\/strong><br \/>\n2010\/11, 1\u00ba ano\/2\u00ba semestre, Projecto II + Laborat\u00f3rio II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto \u00e9 um livro de autor explora a autoria e o papel do leitor, ao questionar a credibilidade e estabilidade da p\u00e1gina e do livro enquanto objecto. E o que \u00e9 um leitor, afinal? \u00c9 um voyeur como afirma Espen\u00a0Aarseth? 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