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PUBLICAÇÃO DIGITAL

Atualmente, a definição clássica de página enfrenta um novo paradigma – o digital. Como resultado do confronto/negociação entre as culturas impressa e digital, a estrutura da página adquire novas formas e novos limites. O seu espaço é agora permeável e mutável, sensível aos inputs externos. Mais do que nunca, a página evidencia-se como um sistema multi-relacional.
Ao questionar a página como objeto mas também como sistema, desenvolvemos investigações individuais e experimentais que culminaram num projeto coletivo – No Page For This Territory. Este projeto é uma interpretação visual das novas conexões que a página enquanto objeto, pode estabelecer quando integrada num sistema. Das aplicações baseadas em código aos métodos low-fi de impressão procurámos ver onde são desenhados os limites do medium e entender a potencialidade das várias mutações operadas.
Se cada projeto individual conduziu à criação de um território próprio, No Page For This Territory potencia o cruzamento de cada um dos seus imaginários. Da narrativa à rejeição da linguística, do mapa a territórios desconhecidos, da página em branco à sua refração, da representação à perda de referente, especulámos sobre o papel da página em ambas as culturas (digital/impressa).
Este projeto coletivo traduziu-se em dois objetos – uma publicação impressa e uma aplicação digital.
A publicação impressa é uma compilação das referências fundamentais de cada investigação individual. A sua estrutura seguiu quatro orientações – PERCEPÇÃO, REPRESENTAÇÃO, NARRATIVA e CAOS. Ao fundamentar o seu processo em observações, testes e erros, a fotocópia tornou-se ferramenta conceptual do design e produção da publicação.
Por sua vez, a interface da aplicação digital apresenta inicialmente um palco vazio, dividido em quatro territórios abstratos que representam sistemas e códigos específicos. Cada sistema tem as suas regras e os seus objetos. Quando estes últimos invadem outro território passam a agir e reagir a partir das regras desse outro sistema. Os territórios, por sua vez, evoluem e criam novos sistemas, continuamente. Deste modo, novos sistemas agem e reagem, reencenando o espaço digital.

Ana Malheiro, Diogo Ramalho, Madalena Guerra, Renato Amaral
2010/11, 1º ano/2º semestre, Projecto II + Laboratório II